Quando a Ansiedade Bateu na Porta pela Primeira vez



Minha história com a ansiedade começou lá em 2009, num momento em que tudo parecia finalmente começar a dar certo. Eu estava no final do curso de Direito, cheio de planos, expectativas para a formatura e cercado por pessoas queridas. A única pedra no caminho era a grana curta. Estava praticamente sem trabalho e me cobrando muito por isso.

Foi então que apareceu uma oportunidade: um concurso em uma empresa pública. Fiz sem grandes esperanças, mais como um “vai que cola”. E colou. Me ligaram pedindo para comparecer com toda a documentação. Eu fiquei em choque — coração na boca, sorriso bobo e uma vontade enorme de contar para todo mundo. Mas segurei um pouco, aquele velho medo de dar errado.

Passei por exames, entrevistas e, como era tudo classificatório e eliminatório, a ansiedade já dava seus primeiros sinais. Quando cheguei no exame psicológico, algo me incomodou. Aquela coisa nebulosa, sem explicação clara… mas fui em frente.

Eu já me preparava para viajar a São José dos Campos para o treinamento, quando o silêncio começou. Nenhuma ligação, nenhum e-mail, nenhum sinal. Liguei para a responsável, que me deu a notícia sem jeito: eu tinha sido desclassificado e outra pessoa assumiu a vaga. Até hoje não sei exatamente o porquê.

Ali, naquele telefonema, meu chão sumiu. Foi o estopim. Chorei tudo o que podia. E sim, desconfio até hoje da lisura daquele processo. O mais curioso? Só tinham duas pessoas até ali — eu e mais um. Mas na fase final, apareceu uma terceira. E essa pessoa ficou com a vaga.

Tive que voltar à faculdade, me arrastando emocionalmente. Fiz o TCC em frangalhos e prometi a mim mesmo que nunca mais prestaria concurso. “Tudo armação”, pensei. Ingressei com uma ação judicial. Ganhei na primeira, perdi na segunda. Vida que segue.

Foi nesse período que veio o diagnóstico: ansiedade, TOC, depressão. Me formei, mas sem brilho, sem aquela alegria que a gente imagina. Tentei me apegar à espiritualidade, mas só piorei. Virei cético, ranzinza, daqueles que questionam tudo. Um verdadeiro mala.

Disse que nunca mais estudaria, mas estudei. Fiz cinco vezes a prova da OAB. Cinco. O desespero por um trabalho falava mais alto. E minha cidade, com mercado fechado e cheio de esquemas, não ajudava. Só arruma vaga quem tem “Q.I.” (quem indica) — ou quem aceita certas “condições”. Qualificação mesmo? É o que menos conta por aqui.

Mas eu passei. Me tornei advogado. A ansiedade esteve comigo o tempo inteiro. Estava lá, firme, me esperando em cada resultado. Me fez duvidar, chorar, tentar de novo. E quando finalmente meu nome saiu na lista, percebi que meu trabalho começava ali. Eu era o próprio trabalho. Eu sou, até hoje.

Conclusão

Não é fácil contar essa história, mas ela é parte de mim. A ansiedade não me define, mas moldou muita coisa. E talvez, falando sobre isso, eu consiga transformá-la em ponte — e não em prisão.


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